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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Como Achar




O livro, em versões impressa e ebook, pode ser adquirido no site Clube de Autores, pelo link:


Este livro está registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, com o número 528.645. Todos os direitos são reservados ao autor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Hein?! Ah?! Oh?! Hã?!


Sinopse

Hã?! – Muito se fala por aí que dinheiro não traz felicidade. A história de um pobretão apalermado, que vê, de repente, a sua vida se transformar num inferno. Por desconfiarem que está milionário da loteria. Aí, surgem do nada – como sempre! –, vizinhos curiosos, fofoqueiros jubilados, moças solteironas, parentes distantes, políticos, religiosos...

Trecho

“...Buba saiu pelos fundos, escalou o monte que há no quintal, pulou o alambrado da fábrica vizinha, passou pela pinguela sobre o córrego poluído, atravessou um terreno baldio cheio de lacraias, contornou a esquina e... deu de cara com Lindaura. Uma loura opulenta, de seios avantajados e boca carnuda. Caça-otário.
— Oiieeee!!! Tudo bem, Bubinha?! Fiquei sabendo que você está bem de vida...
— Hã?!
         — Agora irá precisar de uma companhia pra cuidar de você, meu bem. Já pensou nisso, tesouro? Alguém muito especial para deixar a nossa mansão em ordem quando você chegar do trabalho em suas empresas.  Ops! Desculpe, estou me adiantando, é que sempre fui apaixonada por você, pedaço de mal caminho. Sabe, Bubinha, quando estou só de camisolinha fico pensando na vida a três entre nós. Fico sonhando com o nosso romance...Será como um conto de fadas. No nosso casamento me vejo de véu e grinalda, num vestido branco de Pierre Cardin, colares e brincos com diamantes 56 quilates da África do Sul. Você me esperará no altar com um terno elegantérrimo, sapato de cromo alemão, cueca samba-canção dourada e gravata de Cristian Dior, com uma máscara do Brad Pitt. Distribuiremos aos nossos dez mil convidados, vindos do mundo todo, dentre eles a rainha da Inglaterra, lembrancinhas folhadas a ouro e prata. Nossa vida conjugal será maravilhosa, teremos sete filhos, nenhum será seu, afinal, nem todo mundo gosta de criança. Eu terei alguns amantes apenas para que a vida não caia na monotonia e venha a estragar o nosso casamento.
         E a robusta moçoila, num ímpeto inesperado, enfia a mão num dos bolsos da calça de Buba.
         — Enquanto não casamos por que você não me dá um adiantamento em dinheiro para o chá de panela? É pouco, só uns 50 mil...
         — Hã?! Aaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!
         O bolso da calça estava furado — como os demais —, e no afã de encontrar alguns caraminguás, a mão da protuberante donzela foi achar o membro do lacônico rapaz.
         — Nooooooooossa, jáááá, precoce, acho bom você pegar um pouco de sua fortuna e fazer um implante aí! Pelos menos uns quinze centímetros. Assim não vai dar pro começo, Tem que ter mais...Eu quero maior!
           Só conseguiu escapulir de Laurinda depois de quarenta minutos, mas notou que quarteirão à frente havia mais um grupo de moças casadoiras. Rapidamente, embocou em outro terreno baldio, desta vez era tanto mato que achou que fosse dar de cara com o curupira. Ficou uma meia hora tentando encontrar a saída. Avistou o outro lado da rua através de um muro quebrado, só ao sair da pequena floresta urbana notou que havia uma cobra enrolada em seu tornozelo...”

Napoleão É o Que Mais Tem Por Aí!


Sinopse

A Culpa é do Napoleão – Um bom funcionário público, samaritano de carteirinha, resolve fazer filantropia na prática pela primeira vez. Tomado por este sentimento sai em busca de uma instituição de caridade para oferecer o seu calor humano. Só falhou em não escolher previamente,  e conhecer!, qual instituição iria visitar...

Trecho

           “...Atônito, entrou em outro quarto e foi recebido por um senhor de barbas longas, vestindo uma túnica branca, meias listradas em preto e branco até os joelhos, segurando um cajado numa mão, uma lista telefônica na outra e uma cueca enfiada na cabeça. Olhou fixamente para Eufrásio e proclamou em tom solene:
            ¾ Ah, você veio finalmente! Seu herege maldito, senhor das trevas! Como ousas me desafiar, não notas que sou Deus? Seu ugandense de araque, comedor de paçoquinhas! Arrependa-se, o dia do juízo final está próximo. Quem mandou você não dar aquele pênalti?! O aleijado ia marcar o gol, seu imbecil!
           Já desesperado foi até o fim do corredor onde encontrou uma escada que o levaria para o andar de cima. Estava tudo às escuras. Entrou na primeira porta, tateando, e antes que pudesse ver onde estava, foi puxado pelo braço. Cercado por várias pessoas escutou de uma delas:
            ¾ Ora, seja bem-vindo, nobre deputado. Nós votamos no senhor. E aquela casinha que o senhor nos prometeu? Já deve ter roubado o suficiente para comprar. Se eu fosse sua excelência eu tirava o ministro da Fazenda e colocava a minha sogra. Precisa ver como ela vai ao mercado com pouco dinheiro e traz um monte de papel higiênico pra nós. Eu adorava quando o senhor falava “minha gente”; tinha “nego” que chegava a se jogar do penhasco de tanta emoção. Na verdade a situação não está tão ruim assim no País, veja só: o preço da régua de medir pegada de gigante está bem em conta. A dúzia da pinta de onça para fazer chá para catapora também está acessível. O quilo da estátua do preto velho está barato. 
           De repente, sentiu que alguém lhe cutucava as nádegas. Olhou para trás e viu que era um anão. Mais que isso, talvez fosse o anão mais chato da história do mundo.
          ¾ O negócio é o seguinte, seu senador, eu estava escondido dentro do bolso do King Kong, quando eu vi o senhor matar com uma estilingada, o presidente Roberto Carlos Kennedy. Se eu fosse você caía fora, mano. A batata vai assar pro seu lado, meu! Eu tô com você engasgado na minha amídala! E não faz cara feia pra mim, que cara feia pra mim é feiúra. Esta direita aqui é conhecida como “Coice de Elefante”. Eu fui campeão mundial de porrada, na categoria rodapé...”

Fantasma "No Equiziste"...E o Diabo?


Sinopse

Que Droga de Diabo! – O clássico confronto do bem contra o mal. O calejado padre exorcista, escudado pelo seu fiel e amedrontado assistente, um padre recém-ordenado, se vê diante de uma batalha titânica contra uma força maléfica. Seria realmente um espírito tinhoso que atormenta a vida de o pobre rapaz? Ver pra crer...ou não crer...”

Trecho

              “...Meia noite em ponto. Aliás, faz quinze minutos que o relógio do corredor que dá acesso ao quarto do endemoninhado parou na mesma hora. Os sacerdotes exorcistas finalmente se preparavam para entrar no quarto.        Todos devidamente paramentados com utensílios necessários ao expurgo do espírito penetra. Dona Méri, por sua vez, escondida atrás de uma barricada de sacos de areia, abraçada a um crucifixo de Itu, chegava a rezar o pai nosso até de trás pra frente, na língua do p, em javanês etc...
           Padre Juanito vestia um colete à prova de balas, capacete militar com as cores do Vaticano, cinturão com balas de hóstia, no coldre, um revólver que espirra água benta, um fone de ouvido para não esquecer versículos importantes da Bíblia, um gibão com a estampa do Santo Sudário, uma máscara com as feições do papa e um penico com o distintivo da Seleção Brasileira, sabe-se lá para o quê? Padre Jilinho, que nem teve tempo para se produzir, acabou pegando mesmo, às pressas, uma fantasia de gorila, que estava no guarda-roupa do padre Juanito. Carregava a duras penas um galão de 30 litros com água benta importada do rio Jordão, ficando assim, na retaguarda assessorando o valente e veterano sacerdote.
           Finalmente a porta do quarto foi aberta e para chocar logo de cara, uma visão perturbadora. O possuído, com olhos fundos, cabelos esvoaçados, nu, dançava sobre a cama, rebolando tal qual uma veterana streaper das altas temperaturas infernais. Cantava com uma voz de arrepiar, gutural, cavernosa, uma famosa cantiga infantil. Mas, de maneira obscena:
           ¾ Ciranda cirandinha vamos todos cirandar, vamos dar a meia volta e vocês vão se danar...
           Já se sentindo ameaçado pela guarnição do bem que vinha pela frente, o espírito de porco começou a despejar impropérios em direção aos determinados sacerdotes:
           ¾ E aí, padreco? Como é que vão aquelas beatas papa-hóstias da tua paróquia...tem traçado alguma daquelas barangas? Ou continua mantendo o voto...reprimindo a tua tara? Rá!Rá!Rá! E esse aí, com cara de berinjela estragada, tá se borrando de medo? Rô!Rô!...”

Durma Bem Para Não Despertar a Fera Que Existe Dentro de Você


Sinopse

O Incrível Luque – Qual homem não quis um dia ser uma montanha de músculos só para papar as raparigas das redondezas? Este conto mostra bem o que pode acontecer quando desejos e sentimentos primais ficam retidos nas intrincadas profundezas de nosso ser. Podemos ficar verdes de raiva...ou azul!

Trecho

              “...Luquevaldo Esmeraldo Hulquilino já tinha “entregado pra Deus”. Desistiu de conquistar as moçoilas do pedaço há tempos. Era um poço de carência afetiva. Magricela, quase raquítico, com os ossos insistindo em aparecer mais que a pele, o pobre rapaz já não almejava mais buscar uma companhia para um enlace matrimonial. Então, sua vida era só o estudo. Casou-se com os livros. Gênio na matemática, ultimamente havia deixado momentaneamente o teorema de Pitágoras, pi radiano, álgebra, seno e cosseno, trigonometria e outros bichos, para mergulhar na literatura fantástica da ficção científica. Tornou-se um leitor ávido pelo tema. 
           Luquevaldo morava com dona Gioconda, uma tia solteirona, e com o seu avô, o sr. Phillomeno; que vivia preso a uma cadeira de rodas, debilitado pela idade avançada e por enfermidades. Na hora de dormir dividia o quarto com o seu avô. Não raramente ia parar no sofá, por causa da flatulência do seu progenitor, que deixava o quarto inabitável. Não bastasse este problema, o ronco do adoentado ancião, que mais parecia a turbina de um Boeing, o impedia de adormecer. Com o sono fragmentado, dividido em capítulos, parecendo uma novela, acordava invariavelmente de péssimo humor.
              Dormir não era tarefa fácil, e nunca se esquecerá de uma noite quando foi expulso do quarto pelas características de seu avô. Tentou se acomodar na garagem, mas o galo do vizinho parecia inspirado, não parava de cantar. Nem sendo alvo de iradas tijoladas fez com que o penoso de crista parasse de esgoelar madrugada adentro. Foi para o sofá, mas as molas do antiquado móvel resolveram naquele momento, como que sindicalizadas, saltarem de suas centenárias posições. Desesperado, tentou pernoitar dentro do armário embutido do banheiro, entre sapatos com meias fedendo chulé e roupas urinadas de seu avô, mas nem conseguiu respirar. Sem alternativas particulares partiu para o domínio público: foi dormir no banco da praça. Morto de cansaço desmoronou o seu combalido corpo. Só acordou no outro dia sentindo bater um ventinho gostoso da manhã... havia sido assaltado e deixado nu em plena praça...”

Aconteceu em Tatuporanga


 
Sinopse

Quiproquó no Xilindró – Não vale a pena se estressar! Um delegado vem da capital para assumir em uma cidade pequena. Aparentemente espera levar uma vida frugal no bucólico município caipira, mas forças enraizadas em sua personalidade impedem que tudo transcorra na mais absoluta das normalidades. Tatuporanga que o diga, singela cidade perdida em algum rincão deste continental país.

Trecho

              “...Aquela segunda-feira começara agitada. Uma noticia foi recebida com surpresa geral. O Tico Carteiro, dedicado funcionário da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos fora preso. E sem nenhuma causa aparente. Por se tratar de uma figura muito querida na cidade, imediatamente o padre Libório, humanista de carteirinha, foi buscar respostas com o delegado para tal acontecimento. Só que foi recebido com pedras na mão:
           ¾ O que o senhor quer aqui? Já veio representar os direitos humanos, hein? O senhor manda na sua igreja e aqui quem manda sou eu!
           ¾ Mas, meu caro delegado, por que o carteiro foi preso?
           ¾ Há uma desconfiança de carta-bomba e ele foi retido...eu disse retido...para averiguação.
           ¾ Carta-bomba? Quá! Quá! Quá! Desculpe-me este acesso de risos, mas o senhor acha que alguém deste pedaço de chão vai mandar ou receber uma carta com explosivos? Quá! Quá! Quá! Isto aqui não é cidade grande, não, onde tá apinhado de neuróticos e marginais...
           Antes que desse mais uma gargalhada, o padre Libório foi preso. A prisão de um porta-voz de Deus criou um efeito dominó. O prefeito, o presidente da Câmara, o agente funerário, um açougueiro, um farmacêutico, um gerente de banco, o dono do centro espírita, uma prostituta e mais algumas personalidades do município foram saber o porquê do ocorrido e também acabaram presos. A única cela da delegacia ficou superlotada, com 40 pessoas espremidas sofregamente.
           O delegado Taboão, temendo um levante popular, mandou os seus incrédulos comandados fecharem as ruas que dão acesso à delegacia e armarem barricadas avançadas. E eu, Muca Pururuca, que estava tomando um saboroso sorvete de jatobá ali perto, fui preso só porque o delegado gostava de números redondos...”

Sai, Urucubaca!!! Saravá, São Jorge!!!

Sinopse

Para Nunca Mais Esquecer – É difícil existir algum ser humano que não tenha se queixado do andamento de sua vida. A não ser que seja rico. Todos têm problemas, principalmente de ordem financeira. Então, surgem questões na mente das pessoas. “Por que será que não progrido na vida?”, é uma delas. Cada um avalia e interpreta de um jeito a sua sina. Mas, e se alguém quiser enveredar para o lado místico-macumbeiro da história? A influência do sobrenatural no cotidiano das pessoas....Saravá, meu Pai!

Trecho

          “...Dias depois, sem que sua mãe soubesse, Zélio resolveu ir consultar o pai-de-santo. Pai Lumumba, um octogenário macumbeiro, que pela sua idade avançada só atendia casos especiais. O velho recebeu Zélio e o tio num pequeno cômodo de sua paupérrima casa, forrado de estátuas e quadros de entidades do além, velas coloridas, patuás...
        ¾ Saravá, meu Pai Lumumba! Trouxe o meu sobrinho para tomar um passe especial. Este não progride na vida! Tá atolado até o pescoço!
        E o preto velho, fumando cachimbo, respondeu, com intervalos para tossir muito:
           ¾ Hum! Hum! Suncê tá cum us caminhu fechadu, zifiu!... Cóf! Cóf! U véio pódi inté sinti as vibração negativa. É o Exú-Caveira e o Caboclo Tranca-Rua infernizando a tua vida, fiu... Cóf! Cóf! Eles são danadu! Percisamu disfazê di quarqué forma us trabaio qui ti amarrô... Cóf! Cóf! Arrrggghhhhh...cóf!...cussppp! Suncê percisa é di um banhu di discarregu i um dispacho inspeciar... Cóf! Cóf!
        Pai Lumumba orientou que Zélio Caçamba seguisse à risca os seus preceitos. Naquele momento quase que teve de abrir um guarda-chuva, pois toda vez que o velho tossia, os perdigotos caíam sobre o pobre infeliz. Foram intermináveis quinze minutos. Período que teve de aturar um festival de baforadas de cachimbo, fumaça de incenso e uma chuva de perdigotos:
        E prescreveu ao seu incrédulo paciente:
           ¾ Vamu quebrá essi tabu. Cóf!, Cóf! É Mandiga dá braba. Suncê vai num sumitério e pula trêis túmbalu di pretu, trêis di brancu i trêis di japoneis. Cóf!, Cóf! Issu qué dizê as união das raça du nossu Brasir. Numa sexta-feira de lua cheia, meia-noite em ponto. Adispois, suncê sai di fastu, oiando pra frenti, sirugando uma vela vermeia. Quando suncê tivé du ladu di fora du sumitério, é só dizê: “Saravá, São Jorge!” Prontu, é uma maravia. Tu vida vai miorá uma belezura adispois dissu!
        Depois de uma pequena pausa do velho, só se ouviu de Zélio:
        ¾ E-eu t-tenho m-m-medo! O senhor vai comigo, tio Germano?!
        E o preto velho arrematou:
           ¾ É sozinhu fiu, sinão num faiz efeitu, num faiz,  não!... Cóf! Cóf!...”